Quando pensamos em arquitetura da informação (AI) os primeiros itens são: estrutura, conteúdo, rotulagem, categorização, etc. Ou seja, um profissional de AI é responsável por organizar informações em uma estrutura que seja coerente e que facilite rapidamente a compreensão das pessoas em qualquer tipo de conteúdo.

Agora pare para pensar quais são os principais problemas que você encontra ao navegar em alguns websites grandes como e-commerces e portais? Muito provavelmente alguns itens são: menus gigantes e confusos, desorganização de informações, ambiguidade das informações e excesso de links.

Em muitos blogs isso também acontece, onde deixam categorias com nomenclaturas estranhas e até mesmo, ícones que não nos permite reconhecer qual tipo de conteúdo iremos encontrar. Será que esse não é o seu caso?

 

Por que minha arquitetura da informação está confusa?

Isso tudo geralmente acontece devido a falta de um desenho minucioso do fluxo de navegação, e principalmente pela falta de atenção a linguagem apresentada. Ou seja, ausência de uma linguagem própria na qual apresenta-se ao usuário um vocabulário controlado com taxonomias que beneficiem o entendimento, a navegação e a pesquisa por conteúdos dentro de um site.

Os fluxos de navegação auxiliam no planejamento de links entre as páginas de uma interface, aonde o arquiteto da informação irá determinar quais áreas são as mais importantes e como os seus usuários irão navegar entre elas. Fluxos bem elaborados abordam diferentes elementos e podem ser trabalhados com cores, tamanhos, tipografias, imagens e taxonomias.

E aqui chegamos ao ponto principal desse post. Um fluxo bem desenhado só funcionará com efetividade se todos os elementos forem bem trabalhados e inevitavelmente dentro de todos esses elementos teremos a presença das taxonomias, que irão ou não instigar o usuário.

Garanto que você já ouviu o termo taxonomia, certo? Ele é muito utilizado na biologia e serve para organizar os grupos de organismos existentes em nosso planeta de uma forma hierárquica baseada nas características comuns entre os seres, trabalhando de uma forma em que os organismos possuam apenas uma origem, o que ajuda a acolher e classificar várias descobertas. Na arquitetura da informação o mesmo principio é utilizado, só que será utilizada para classificar uma grande diversidade de informações, porém é permitido construir uma estrutura a partir de diversas origens.

Portanto, reserve um tempo do seu projeto para estudar exclusivamente ela.

 

Como melhorar taxonomia de um site ou blog?

Para iniciar um estudo taxonômico é importante visualizar o público alvo a ser atingido e principalmente, qual o produto ou serviço será trabalhado.

Alguns dados culturais também podem te ajudar a visualizar como esses usuários classificariam o conteúdo apresentado, ficando assim,  mais fácil de entender a linguagem natural por eles utilizadas e conseguir escolher as palavras que mais façam sentido. Por isso é preciso pensar em várias maneiras que facilitem a localização de uma informação podendo ser com índices, categorias, datas, tags e palavras-chaves que se co-relacionem e em termos que não tragam ambiguidade a mensagem que deverá ser transmitida.

Ou seja, a ideia é trabalhar com uma unidade de pensamento que se aproxime ao pensamento presente na cabeça do seu usuário e que os deixem livres para indexarem seus próprios conteúdos com conexões semânticas implícitas, nas quais não existam uma fórmula de navegação única, mas uma forma que os conduzam pelo “caminho” que será necessário percorrer.

Levando todos esses pontos em consideração é sempre necessário iniciar qualquer estudo criando um inventário de conteúdo. Se o site ou blog já existir o ideal é explorá-lo acessando todas as páginas e anotando para onde cada link levará o usuário, também é importante descrever todo o conteúdo encontrado. Deste modo será possível avaliar se a taxonomia da arquitetura da informação atual está condizente com a ação ou informação a ser apresentada.

Em alguns estudos que já realizei, encontrei diversas vezes funções iguais com taxonomias diferentes que realizavam a mesma ação, e funções diferentes com taxonomias iguais que acabavam trazendo uma bagunça de informações perdidas no meio da interface.

Agora, caso seja um projeto iniciado do zero, é de suma importância definir todo o conteúdo antes de prosseguir com o estudo, aliás é preciso definir todo o fluxo e taxonomia antes de prosseguir para qualquer outra etapa do projeto.

Após o inventário de conteúdo já será possível criar agrupamentos. Então, classifique cada conteúdo com rótulos que transmitam de forma objetiva o que esta sendo representado. Todo cuidado nesse momento é pouco, pois os termos utilizados devem possuir uma definição conceitual não ambígua e não redundante para que seja possível manter uma consistência na indexação de conteúdos, os quais não devem criar problemas semânticos dentro do sistema e nem problemas de busca.

Uma maneira de facilitar a organização das informações é realizar testes com os possíveis usuários da interface, um teste que funciona bem para esse tipo de caso é o card-sorting. Você precisará criar cartões com o título do conteúdo, colocar uma breve descrição, chamar alguns usuários e pedir para que eles classifiquem todos os cartões do modo que acharem melhor, tanto em grupos quanto em hierarquias (ex: do mais importante para o menos importante).

A partir dos resultados será mais fácil avaliar e criar a melhor estrutura. Afinal, um projeto de taxonomia precisa ser responsável e para isso é preciso ter em mente que cada usuário estará inserido em um contexto de uso e cultural diferente, onde poderá entender de uma maneira diferente, por isso exponha apenas o que realmente deve ser exibido.

Para finalizar, deixo aqui o meu conselho: as taxonomias são como vitrines, se não forem bem montadas ninguém entrará na loja, ou seja, ninguém navegará no seu site ou blog. Tenha os pés no chão e tome muito cuidado com o contexto de uso e atividades a serem desenvolvidas pelo seu usuário.